Situado na freguesia de Penas Róias, o castelo medieval assenta actualmente num cabeço sobranceiro à actual povoação. A presença de gravuras rupestres da Fraga da Letra, na vertente do cabeço, leva a crer que a ocupação Humana ter-se-á iniciado na Pré-Historia recente. A s características geográficas do terreno, tornam plausível a hipótese, de o cabeço do castelo ter sido ocupado anteriormente por um povoado. No decorrer do século XII (período de afirmação do novo reino de Portugal), com a importância de defender o território, foi implementada a rede de castelos, com o intuito de defender o território, dos quais destacamos neste artigo o Castelo de Penas Róias. Podemos inserir o castelo de Penas Róias no território raiano trasmontano, actualmente delimitado pelos concelhos de Vinhais e Mogadouro. Este território tinha na sua linha defensiva os Castelos de Chaves, Vinhais, Bragança, Outeiro, Vimioso, Algoso, Penas Róias e Mogadouro. Não era somente o objectivo de lutar contra as incursões islâmicas, mas também de defender a nossa fronteira contra o reino vizinho de Leão (IPPAR, 2006, p173). Sendo um território vasto e com um povoamento disperso, concentrado em núcleos populacionais, era necessário criar estruturas de defesa, como já foi referido, não só de protecção da fronteira mas também da povoação. A antiga vila de Penas Róias recebe o seu foral no ano de 1187 sob o reinado de D. Sancho I, tornando-se assim sede de concelho. Os seus domínios pertenciam nesta altura à Ordem dos Templários, por doação no ano de 1145, no reinado de D. Afonso Henriques, de Fernão Mendes de Bragança, tenens (“governador”) da Terra de Bragança. Sendo uma Ordem de grande importância, constituída por monges guerreiros, a sua doação demonstra, a confiança régia depositada na Ordem, para a defesa do território de Trás-os-Montes. Neste ponto de situação, sabemos que a construção do Castelo de Penas Róias foi arquitectada pelo mestre da Ordem Templária, D Gualdim Pais, oriundo de Amares. Tradicionalmente afirma-se o ano de 1166, como a data de fundação, mas no entanto, e segundo alguns autores, a sua construção terá ocorrido no ano de 1172 (ou 1181). Data interpretada segundo uma inscrição gravada no lintel e obreira da porta da Torre de Menagem (Barroca, 2000). O castelo de Penas Róias foi construído segundo os padrões da arquitectura militar dos séculos XII – XIII, no decorrer da Baixa Idade Média, período marcado pela adopção do estilo arquitectónico românico. O castelo românico, não estava destinado a ter uma postura de ataque, mas sim de “defesa passiva” e para resistir a longos cercos. A sua localização em locais elevados, tinha como finalidade, permitir uma boa visibilidade da área circundante ao castelo. Eram providos de muralhas, com uma espessura que transmite-se confiança e de uma cisterna para o abastecimento de água. Actualmente ainda é possível ver uma parte do pano da muralha do castelo de Penas Róias, apesar do seu estado de ruína ainda subsistem dois torrões (pequenas torres de formas variadas, adossadas à muralhas), um quadrangular e outro e circular, para assim reforçar os pontos mais vulneráveis da muralha. Uma muralha medieval era constituída pelo adarve, o chamado caminho da ronda, protegido por um parapeito de ameias. O castelo românico era constituído por uma Torre de Menagem isolada da muralha, construída no centro e na zona mais alta do pátio amuralhado. O estado actual da Torre de Menagem do Castelo de Penas Róias é de ruína. De planta quadrangular, de três andares, com janelas e frestas, e a porta principal no primeiro piso, actualmente de acesso limitado. A Torre de Menagem, símbolo do poder senhorial, era muitas vezes a residência do senhor da terra, o último refúgio deste, mesmo após o castelo ter sido tomando. Esta era o ponto central do castelo e a sua altura permitia uma melhor visualização do território e facilitava o tiro para o exterior da muralha (IPPAR, 2002). Uma das características de um castelo medieval, de arquitectura românica, era a existência de duas portas que davam acesso ao pátio, a porta principal e a chamada porta da traição (porta posterior), característica que o castelo de Penas Róias de certeza possuía. O castelo de Penas Róias permaneceu nas mãos dos Templários até 1197, voltando para o poder régio, após a troca com os primeiros, por Idanha-a-Velha. D. Afonso III em 1272 concede a Mogadouro e Penas Róias, a carta de foral criando-se assim estes dois concelhos. Em 1273, o mesmo Rei, confirma o foral de Penas Róias. Em 1319, durante o reinado de D. Dinis, é criada a Ordem de Cristo, que veio substituir a extinta Ordem do Templo. Após a sua fundação é doada (comenda) à Ordem de Cristo as terras de Penas Róias. Por fim em 1457 Penas Róias passa para as mãos de Álvaro Pires de Távora. O concelho de Penas Róias foi extinto em 1836. Neste artigo elaborou-se uma pequena resenha histórica do Castelo de Penas Róias, bem como uma simples definição do que era e quais o elementos característicos que definem a sua arquitectura, enquanto castelo medieval românico. Arqueólogo estagiário: Emanuel Campos Gonçalves. Bibliografia: ü IPPAR, (2006) – “Castelo de Mogadouro: uma intervenção” in revista Património e Estudos, Lisboa: IPPAR. ü Almeida, Carlos A. F. de, (2001) – “Historia da Arte em Portugal – O Românico” ; Lisboa: Editorial Presença. ü Barroca, Mário Jorge; (2000) – “Castelo de Penas Róias”, Do Douro Internacional ao Côa. As raízes de uma fronteira, CD_ROM. ü LEMOS, Francisco Sande (1993) – “Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental”. Braga: Universidade do Minho, 6 Vols.



