No centro da povoação de Tó ergue-se a Igreja Paroquial de invocação a Santa Maria Madalena de Tó.
A sua construção poderá ter ocorrido na primeira metade do século XVI, no entanto fica em dúvida se a construção do corpo primitivo da Igreja seja anterior.
No decorrer do século XVII a Igreja foi acrescentada, no ano de 1746 manda-se argamassar e branquear a Igreja e fazer uma calçada desde a porta latera à porta principal para poderem passar as procissões.
A fachada frontal de granito lavrado à ponta do pico, possui um arco de meio ponto com as suas aduelas assentes em imposta saliente de característica toscana. Assente na fachada e nos muros laterais a cornija saliente suporta o campanário. Este possui características da arte do princípio do século XVI com uma cruz a coroar o ângulo da espadanha.
As paredes laterais da igreja são de alvenaria possuindo cada uma um portal.
Da fachada Sul, lado da Epistola, sobressaem duas janelas que iluminam a nave da Igreja, ambas com características do século XVII, desta região. Do mesmo lado está erguida a sacristia, mandada erguer no ano de 1770 pelo visitador Episcopal.
Da fachada Norte, lado do Evangelho, referimos a existência de uma janela na capela-mor. Ambas as fachadas laterais possuem contrafortes salientes, que se contemplam no exterior e sustentam os arcos diafragma do interior da nave.
A nave única da igreja é dividida por quatro tramos, divididos por três arcos diafragma, possuem a mesma altura de pé direito e a mesma forma de aduelas chanfradas assentes sobre imposta hexagonal (Mourinho, 1995).
O piso da igreja é de lages de cantaria, usadas como sepulturas com se pode constatar pelos orifícios que estas apresentam.
No interior da nave podemos contemplar diversos retábulos (altares) de diferentes estilos artísticos. No lado do Evangelho (Norte) encostado ao contraforte do arco triunfal podemos ver um retábulo rocaille com a imagem da Nossa Senhora do Rosário e inserido num arcosólio podemos apreciar um retábulo barroco joanino de invocação a Santa Bárbara. O púlpito de cantaria possui a forma de um cálice semelhante ao púlpito da igreja paroquial de Vimioso. Ainda do lado do evangelho encontra-se a pia baptismal.
Do lado da Epístola (Sul) foi construída a escadaria que dá acesso ao exterior do campanário. Seguindo em direcção ao altar-mor podemos apreciar o retábulo alusivo ao purgatório, um arcosólio sem retábulo e na esquina do contraforte um retábulo rocaille com as imagens dos Santos Cosme e Damião.
A capela-mor mantém a traça original do século XVIII, não tendo sido alvo de grandes alterações. De planta rectangular, as paredes da capela-mor são rebocadas de cal e pintadas de branco, à maneira portuguesa. O tecto é me forma de abóbada, construída de pedra e cal. Na abóbada em forma de canhão foram elaboradas pinturas alusivas ao Santíssimo Sacramento.
O retábulo da capela-mor, em talha dourada, reflecte dois estilos e duas épocas. A parte central, construída por volta de 1715 a 1720 é do primeiro período joanino. A outra parte da talha é do estilo rocaille e foi acrescentada nos finais do século XVIII, na mesma altura da pintura e douramento do retábulo, arrematada pelo mestre pintor Teotónio de Morais Fortuna, natural da freguesia de Castelo Branco. As despesas desta obra foram pagas pelos rendimentos da Comenda da Ordem de Cristo.
No exterior da capela-mor sobre a sua parede estende-se o friso de granito aparelhado com sua cornija em forma de papo de rola que rodeia toda a cabeceira formando frontão e sobre este está uma cruz sobre sua peanha barroca. Nas quatro esquinas e sobre os cunhais estão quatro pirâmides agarrafadas de gargalo curto.
A igreja de Tó e em todo o seu conjunto é uma das melhores construções religiosas na nossa região e uma das mais bem conservadas no seu estilo primitivo seiscentista regional.
Emanuel Campos Gonçalves, Arqueólogo da Câmara Municipal de Mogadouro (estagiário).
Bibliografia:
- Mourinho, António Rodrigues, A Arquitectura religiosa na Antiga Diocese de Miranda do Douro – Bragança; Sendim, 1995.



