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Necrópole de Santo André

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Algosinho (Peredo da Bemposta)

 

A necrópole de Santo André de Algosinho, situada na zona Ocidental da aldeia de Algosinho, pode ser balizada cronologicamente no período Histórico da Idade Média (entre os séculos XII e XV).

Actualmente, a necrópole de Santo André é constituída por três estruturas de enterramento visíveis, escavadas no afloramento rochoso granítico.

A primeira estrutura de enterramento é constituída por duas sepulturas geminadas, uma de forma ovalada e outra de forma sub-rectangular.

A segunda sepultura é de tipologia antropomórfica (com forma humana), com uma configuração trapezoidal. Nesta sepultura, na parte da cabeceira, é visível a almofada com os contornos de assentamento da cabeça e dos ombros.

Na parte mais ocidental da área da necrópole, cavada numa fraga, encontra-se uma terceira sepultura de contornos ovais, de dimensões mais reduzidas, que estaria destinada ao enterramento de uma criança.

As três estruturas de enterramento apresentam uma orientação canónica; a parte da cabeceira está orientada para Oeste, ficando a face do defunto voltada para Este, olhando para o nascer do Sol e a zona dos pés está orientada para Este.

Esta orientação deve-se a uma questão de fé cristã. Podemos usar os seguintes argumentos: no decorrer da Idade Média, os cristãos consideravam-se filhos de Deus, consideravam-se filhos da luz, sendo importante que o defunto ficasse voltado para a terra da luz e de costas voltadas para Oeste que é a região das trevas, do demónio, de frente para a região da luz. Poderíamos, ainda, focar outros argumentos justificativos para a orientação Oeste-Este (Vicente Campos, 1997).

Em termos socioeconómicos, podemos talvez deduzir, que as pessoas sepultadas, em estruturas cavadas na rocha, eram pessoas com prestígio no seio da sua comunidade e com posses económicas. A construção deste tipo de sepulturas exigia mão-de-obra especializada, capaz de proceder à construção de uma sepultura na rocha. As sepulturas eram posteriormente tapadas por lajes, podendo conter inscrições.

Nos costumes funerários da Idade Média, devemos ter em conta a variedade de lugares em que se podiam enterrar os defuntos. Estes locais de enterramento podiam ser na própria casa, ou no cemitério paroquial; podiam ser localizados junto a igrejas, mosteiros ou em locais isolados, se não houvesse uma igreja (nos primeiros séculos da Idade Média) (Vicente Campos, 1997).

A necrópole de Santo de André de Algosinho localiza-se junto a um caminho, sendo também prática criar estes locais de enterramento junto a caminhos, para que, quem por lá passasse, pudesse prestar respeito aos defuntos.

De acordo com a lenda, que chegou aos nossos dias através da oralidade, os antigos referem que no local da necrópole existia uma capela dedicada ao Santo André, não deixando de ser curioso o facto de o local da necrópole ser denominado por Santo André. Dizem que o Santo André, que está no altar-mor da Igreja de Algosinho, era a imagem que estava na suposta capela, que existiria no local da necrópole.

Podemos referir que, durante a Idade Média, foram construídas igrejas e capelas junto às necrópoles de modo a santificar a área das sepulturas.

Neste pequeno texto, foram referidas, de forma sucinta, as estruturas de enterramento da Necrópole de Santo André de Algosinho, bem como alguns costumes das práticas de enterramento durante a Idade Média.

 

Emanuel Campos Gonçalves.

(Arqueólogo estagiário, da Câmara Municipal de Mogadouro)

 

Bibliografia:

? LEMOS, Francisco Sande (1993) – Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental. Braga: Universidade do Minho, 6 Vols.

? Vicente Campos (1997) – Las sepulturas Medievales. Introduçción A Su Estudio Prático" in Acta histórica et archaelogica Mediaevalia, nº 18, Edição Universitat de Barcelona.

Internet:

? http://www.ipa.min-cultura.pt

 
 
 
 
 

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