Você está aqui:: Arqueologia e Património Capela do Santo Cristo
 
 

Capela do Santo Cristo

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF


A Lenda de Castro Vicente

 

A capela do Santo Cristo, também denominada de Capela de Nosso Senhor da Fraga, situa-se no sopé Oeste do Cabeço do Santo Cristo sobranceiro ao Rio Sabor, na freguesia de Castro Vicente.

A construção da capela de Nosso Senhor da Fraga terá ocorrido no decorrer do século XVI, tendo sido sujeita a remodelação no ano de 1924, data inscrita numa cartela na empena da fachada principal e rematada por um campanário. 

Edifício religioso de planta rectangular apresenta na fachada principal um portal com viga ladeada por pedras figurando pontas de diamante e rematada por uma faixa saliente. No exterior da parede da cabeceira, podemos visualizar três representações antropomórficas de granito, possivelmente elementos de cachorrada de um templo anterior ao actual.

No interior podemos admirar um altar-mor de talha policroma de sabor popular (pintada com diversas cores), na parte de trás são visíveis pinturas murais com a representação do mártir S. Sebastião e uma representação que se julga de um anjo de cruz alçada. É igualmente possível observar um friso com ornamentação encanastrada seguindo até aos pés do S. Sebastião.

A esta capela está associada uma lenda que revela uma interpretação possível para a origem do nome de Castro Vicente.

Diz a lenda, que no tempo dos mouros, por volta do século VIII da era cristã, habitava no Monte Carrascal (Chacim), um vil senhor de seu nome Takir. Este exigia para si o direito à primeira noite nupcial, com as jovens donzelas que habitavam nos seus domínios.

No lugar de Castro, habitava a jovem donzela Teodolinda, que tristemente recusava casar com o seu amado, o jovem chefe dos “cavaleiros das esporas doiradas”, da terra de Alfândega. A donzela do Lugar de Castro queria assim evitar entregar-se ao “tributo das donzelas”, imposto pelo temível Takir. Assim o jovem cavaleiro promete à sua amada, que “os cavaleiros das esporas doiradas” a defenderiam do infame senhor.

O casamento tem lugar na Capela de Santo Cristo. O ambiente era de festa e alegria, no entanto, quando todos se dirigiam para o lugar de Castro, o cortejo é quebrado pelos vassalos do Mouro Takir. De forma flamejante e inesperada conseguem raptar a jovem Teodolinda.

Escoltado pelos “cavaleiros das esporas doiradas”, o noivo embebido em raiva e desespero, inicia a sua marcha para resgatar a sua amada noiva. Ao alcançarem o sopé do Monte Carrascal, tem inicio a batalha entre os mouros e os cristãos de Castro, Alfândega e das povoações vizinhas. No auge da Batalha, surge no céu a Imagem de Nossa Senhora, com um vaso de bálsamo começa a curar as feridas dos cristãos e de imediato retomavam o combate.

O noivo consegue entrar na alcova do sórdido Takir, com um só golpe de espada decepou a cabeça do vil Mouro e resgata do terrível tributo a sua noiva Teodolinda.

O nome de Castro Vicente é associado a esta narração, nos textos antigos surge a designação de “Vecente” que significa vitória alcançada. Alfândega nome de origem árabe recebeu o nome de Alfandega da Fé. A chacina dos Mouros terá contribuído para o topónimo de Chacim.

Segundo a tradição popular, a capela do Santo Cristo foi em tempos uma mesquita e convertida num templo cristão aquando o período histórico da reconquista cristã.

 

Bibliografia

  • (AAVV, Cancioneiro Transmontano, Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Bragança, 2005;
  • OLIVEIRA, Casimiro, Raízes Poesias, Contos e Lendas, 1998

 

Internet

http://www.monumentos.pt

http://www.mogadouro.com

 

Emanuel Campos, Arqueólogo da Câmara Municipal de Mogadouro.

 
 
 
 

Últimas Notícias

Contacto Geral

  • Morada: Largo do Convento de São Francisco, 5200-244 Mogadouro.
  • Tel: (+351) 279 340100
  • Fax: (+351) 279 341874
  • Email: geral@mogadouro.pt
  • Website: www.mogadouro.pt

Newsletter