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As Ruínas do Solar dos Pegados

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                Na zona histórica da nossa Vila de Mogadouro situam-se as ruínas do que outrora terá sido um edifício de esplêndidas linhas arquitectónicas solarengas, mas que infelizmente só chegaram até aos nossos dias ligeiros traços que testemunham a sua singularidade. Defronte às suas ruínas posicionam-se dois marcos importantes da nossa História: o Pelourinho e o Castelo.

Actualmente apenas se conservam parcialmente as paredes exteriores em alvenaria de xisto erguidas com recurso às técnicas construtivas tradicionais e claramente solarengas, a par de uma série de pequenos edifícios complementares que servem de armazém e outros fins, que não dignificam a estrutura histórica. Na fachada principal ainda se conservam o entablamento dos vãos (janelas e portas) em granito.

                O escritor Casimiro H. de Moraes Machado escreve que o primeiro membro da família Pegado a fixar-se em Mogadouro, foi Martinho Pegado de Oliveira, que terá contraído matrimónio com D. Ana Luísa de Antas, natural de Mogadouro. Desta união nasceu José António Pegado de Oliveira  

Num outro registo mencionado na obra de Abade Baçal, o citado apelido associado à Vila de Mogadouro, surge na primeira metade do século XIX. D. Maria II atribui-lhes o título de Barões de Mogadouro por decreto de 28 de Dezembro de 1839. O primeiro detentor do título seria o Conselheiro João António Ferreira de Moura casado com D. Ana Camila Pegado. O título seria transmitido à filha do casal D. Ana Maria de Moura Pegado, segunda baronesa de Mogadouro.

Em Portugal este apelido surge associado a Fernando Esteves Pegado, vassalo que foi de D. Afonso IV e que instituiu morgado na localidade de Elvas.

O referido autor Casimiro H. Moraes Machado identifica no seu texto um segundo corpo edificado, no qual estavam pintadas no tecto em madeira sob o pátio da entrada as armas dos Pegados de Oliveira e que descreve como sendo em escudo partido em pala. Na primeira, de ouro com quatro bandas de vermelho as armas dos Pegados e, a segunda de vermelho com uma oliveira verde, armada de prata e fruta de ouro e o timbre com flechas de prata, hastes de ouro e penas de vermelho, enfaixadas e atadas ao alto.

                Neste segundo corpo erguido a Poente, de que nada resta actualmente, teria uma imponente portada de cantaria com um remate em cruz e com a inscrição datando-a de 1801.

Tradicionalmente as ruínas deste antigo edifício solarengo estão erroneamente associadas à família dos Távoras, sugerindo-se que este antigo edifício terá sido a antiga residência dos Távoras. Na Vila de Mogadouro a residência dos Távoras estava instituída no Castelo de Mogadouro, os mesmos ergueram as estruturas residenciais na praça de armas do Castelo, transformando assim o Castelo, erguido no século XII, na sua residência por volta do século XIV. 

Muito fica ainda por dizer sobre este edifício, actualmente destituído da sua natureza inicial solarenga, da qual apenas restam os parcos vestígios já mencionados. Esperamos que num futuro próximo, possam ser colmatadas as falhas e danos infligidos ao edifício, nomeadamente uma reabilitação histórica com inferências científicas. As ruínas urgem uma intervenção eficaz que vise a salvaguarda e recuperação deste marco histórico do nosso concelho. A sua perda é um dano irreparável para o conhecimento da nossa História e o seu desaparecimento implica o desvanecer na nossa memória comum que não iremos transmitir para as gerações vindouras.


Emanuel Campos, Arqueólogo da Câmara Municipal de Mogadouro.

 

Bibliografia:

 

  • Alves, Francisco Manuel (1989) – “Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança” “Os Fidalgos”. Reedição do Museu Abade Baçal – Vol. VI, p.287.
  • Machado, Casimiro Henriques de Moraes (1998) – “Mogadouro, um olhar sobre o passado” Edição de C.H.M.M. e Câmara Municipal de Mogadouro, pp. 177-180.
 
 
 
 

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