A ponte Gamona localiza-se no termo da freguesia de S. Martinho do Peso, sobre a ribeira do Peso, situando-se a 2,5km para Este da referida povoação.
Esta Ponte está associada ao antigo caminho que ligava S. Martinho do Peso a Mogadouro, passando pela povoação do Azinhoso.
Trata-se de uma obra de um só arco redondo, sobre o qual assenta um tabuleiro horizontal. O tabuleiro na sua zona central é composto por uma calçada de lajes graníticas de grandes dimensões e o restante tabuleiro é em terra. Exceptuando as aduelas de granítico que compõem o arco o restante corpo da ponte é de alvenaria em xisto. No intradorso do arco são visíveis os orifícios de encaixe do cimbre para a construção do arco.
A sua construção pode ter sido concretizada no decorrer da Idade Média, inserindo-se assim a ponte na antiga rede viária medieval.
Apesar de o topónimo mais comum ser o de Ponte Gamona, os habitantes de S. Martinho do Peso também a denominam de Ponte Ramona ou Ponte Camona. O porquê desta ponte ter diversos nomes pode basear-se na lenda, que vamos contar, segundo a versão de Norberto Sarmento.
Diz a lenda que os topónimos Gamona e Camona advêm do apelido de duas famílias. O primeiro prende-se ao facto de que a ponte atravessaria um terreno que pertenceria a uma família de S. Martinho do Peso, cujo o apelido seria Gamões e a ponte teria sido erguida a mando desta família. O mesmo se sucede com o topónimo Camona, neste caso o terreno pertenceria à família do Poeta Camões, que de acordo com a sabedoria popular, a família do grande Poeta é originária de Penas Roias.
A explicação para o terceiro topónimo, o de Ponte Ramona, surge na seguinte narrativa.
Numa noite de Inverno, um certo caminhante que percorria o antigo e sombrio caminho para S. Martinho do Peso, quando alcança o local habitual da travessia do ribeiro, deparou-se com a enorme força que o caudal deste possuía. A noite estava muito escura e sombria, o caminhante envolvido num manto gélido reconhece que não consegue atravessar o turbulento ribeiro. Nisto invoca a ajuda celestial, para que o ajudasse a alcançar a tão pretendida margem. No entanto a súplica foi atendida por quem ele menos esperava, naquela escuridão fria surge-lhe senão mais do que Ramão, o próprio Diabo em pessoa. Este predispôs-se logo a ajudar o pobre homem, que se encontrava assustado com a imagem que lhe surgira diante dos seus olhos. O Diabo com segundos intentos, propõe ao caminhante a construção de uma ponte, mas para a realização de tal empreitada este último teria de entregar a sua alma, como um meio de pagamento. O caminhante desesperado, cheio de vontade de alcançar o seu destino, aceita dar a sua alma em troca da construção da Ponte, colocando uma condição. Se o Diabo não conseguisse terminar a construção da ponte, antes do primeiro cantar do galo, este não teria de entregar a sua alma. O Diabo aceita a cláusula, sem perda de tempo convoca toda a sua corte de mafarricos e começam a erguer a tão desejada ponte. Ao primeiro cantar do galo, faltava ainda colocar uma pedra, conforme o acordado, o Diabo desaparece sem reclamar a alma do pobre caminhante, permitindo que este atravessasse o ribeiro alcançando por fim o seu destino. Ainda nos nossos dias, se afirma ser possível ver no local o suposto vazio da pedra, que tornou a ponte incompleta.
A ponte Gamona é um dos muitos exemplares, das pontes medievais que o nosso concelho possui. Estes monumentos são importantes marcos da nossa história, pois representam a vontade Humana de transpor as barreiras naturais, dominando assim a paisagem que o circundava.
Emanuel Campos, Arqueólogo da Câmara Municipal de Mogadouro.
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