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Cozedura de louça, em soenga, no FTT

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20 Agosto 2015
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Cozedura de louça, em soenga, no Festival Terra Transmontana

César Teixeira, oleiro da freguesia de Gondar, em Amarante, é o único artífice que em Portugal e, na Europa, produz louça de barro, preta, modelada numa roda baixa e cozida numa soenga. Esta prática, outrora vulgar em muitos centros oleiros, está praticamente extinta, pelo que observar uma das suas demonstrações é uma oportunidade única.

Na noite de 11 de julho de 2015, integrada no Festival Terra Transmontana 2015, César Teixeira fez uma soenga no largo, fronteiro à antiga moradia dos Távoras, transportando-nos até ao século XVIII, quando a olaria era uma atividade indispensável no fornecimento de panelas, cântaros, púcaros, alguidares e outros objetos do quotidiano, necessários nas casas portuguesas.

A cozedura em soenga, também denominada cozedura aberta, em montão, ou em fogueira, é um processo muito antigo de cozer a louça de barro, sendo registado, ainda no século passado, em Fazamões (Resende), em Gôve (Baião), em Ribolhos (Castro de Aire), entre outros. Atualmente, só o oleiro César Teixeira, de Amarante, usa este processo singular, em que o combustível (lenha) entra em contacto direto com as peças de barro, amontoadas sobre o solo ou numa cova aberta no terreno.

A operação que demora cerca de 2 horas e meia compreende 3 momentos distintos: 1º - aquecimento prévio das peças, para que não rachem quando submetidas a altas temperaturas; 2º - cozedura propriamente dita, em que a temperatura sobe até cerca de 900º e a louça fica ao rubro; 3º - abafamento, em que a fogueira é extinta e as peças cobertas com caruma e terra, , bem compactada, para que não haja entrada de ar e o fumo penetre na louça dando-lhe a cor negra que lhe é característica.

A desmontagem da soenga só é efectuada após o espaço de tempo necessário ao arrefecimento da louça, normalmente no dia seguinte, sendo então aberto o monte de terra e carvão com um engaço e retiradas as peças, ainda quentes, dispondo-as à volta da soenga.

António Pereira Dinis, arqueólogo

Legendas para as fotos:

  1. Uma fogueira, no centro da soenga, aquece a louça disposta à sua volta
  2. Depois da louça empilhada, oleiro dispõe lenha à sua volta para se iniciar a cozedura
  3. O lume não pode parar, por isso é acrescentada lenha
  4. Quando as peças ficam vermelhas, a temperatura atingiu o ponto máximo e a cozedura está concluída
  5. Abafamento da pilha de louça, com agulhas de pinheiro molhadas cobertas por areia e terra
  6. Abertura da soenga. Com as mãos é retirada a terra e areia colocadas sobre a pilha de louça
  7. Pilha de louça preta a arrefecer
  8. Exposição das 35 peças cozidas na soenga, em Mogadouro

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